Emoções são águas que bailam em nosso ser

Água. Escorro minhas emoções e percorro rios, tento atravessá-los; mas, não raras vezes, são justamente minhas emoções que não deixam. As travessias de um rio às vezes são extensas e exigem muito. Percebo que não é assim para qualquer um, mas aqui dentro é. Não é uma escolha particular minha atravessar um rio e desanuviar emoções. Mas eu tenho que fazê-lo. Tem horas que não existe escolha. A maioria delas.


Água. Dentro e fora da gente, elemento essencial à vida. Carrego este oceano dentro de mim, fonte de saúde no sentido mais real da palavra. Conservar a vida só faz sentido se o objetivo for realmente viver. A água por natureza nos faz essa pergunta: estamos verdadeiramente vivendo?


É um número considerável, mais de sessenta por cento do nosso corpo é feito de água. Somos correnteza por natureza própria. Somos um rio que se corre e se escorre o tempo inteiro. Sem esse elemento não sobrevivemos. Sobre sobreviver, sabemos bastante. Mas e sobre viver? Estamos interessados?


Ventana al mar - Alejandra Caballero



Lá dentro, do meu próprio organismo, me faço inteira quando bebo meus copos d’água devidos. Não posso dizer que é a coisa mais natural do mundo pra mim, em uma porção de vezes, mas a verdade é que é inegável que faz um bem sem tamanho. No corpo, no cérebro, na mente. Uma vez eu escutei que beber água é tomar banho por dentro. É fascinante pensar nisso e, por certo, tomar água é se purificar, se limpar, eliminar aquilo que nos intoxica - as impurezas nossas de cada dia.



Aquelas emoções, que tantas vezes dificultam as travessias, são águas interiores. Nosso sentir se iguala ao curso de um rio, a corrente, o movimento, as pedras, a temperatura. O sentir muda o tempo inteiro e o fluxo do rio também. Emoções são águas internas que bailam pelo nosso ser. Assim, existe um caminho a se navegar - é o querer conhecer essa água, sua constituição, como ela se comporta em diferentes momentos, quais os desafios. É um escolha de se querer conhecer. É uma opção de dar voz aos sentimentos. É se saber frágil, passível de erro, confiar na inclusão interior e vivenciar com afeto todos esses tons que pincelam a vida de um indivíduo. É se permitir ser água.


A força de gravidade da lua atua no oceano terrestre, que afeta nas marés - é quando temos a dança das marés. Se ela atua nas águas terrestres, imagina qual sua consequencia nas águas humanas. A lua tem um efeito direto no nosso sentir. Sua energia se conecta com os sentimentos que nos percorrem, abre caminhos para processos emocionais, desperta processos evolutivos, fecha ciclos, e permite que decisões sejam tomadas mais claramente. Se conectar com a energia lunar é se conectar com o seu mundo interno, com a vida que acontece por dentro e que tanto queremos (e tememos) conhecer.


Noite de Lua - Alejandra Caballero

Além do interno, a energia da lua nos coloca também num outro ritmo exterior. São quatro fases lunares, onde a cada lua nova temos um novo ciclo, é como se um novo mês começasse. Porém este novo “mês” caminha muito mais de acordo com os ritmos naturais: os ciclos que fazem parte da Terra.


A energia da Lua é potente e nos atravessa; na lua minguante - encerra-se um ciclo e é um momento para nos recolhermos e cuidarmos de nós mesmas, simplesmente deixar minguar, deixar terminar, deixar diminuir. É natural a nossa energia se recolher. Ao compreendermos que tudo aquilo que começa também termina, desde pequenos acontecimentos, nos alinhamos ao fluxo da vida - a um fluxo divino - que deriva de um feixe de luz que nos preenche: uma luz criadora e nutridora do amor e do real.


A Lua é e pode ser uma guia. Já na lua nova, é o início do novo ciclo lunar -- estamos acordadas mas ainda nem tanto. Deixando-se ficar ainda mais um pouco na escuridão de uma noite sem lua, sem luz, com bastante profundidade e, às vezes, até, com morte. Morrer para renascer é o mantra. A cada lunação, a cada volta em torno do sol, a cada vida vivida na dimensão real do existir aqui nesta Terra.


Encarar os medos mais profundos têm a ver com a escuridão da noite e apesar de ela ser um tanto assustadora em diversos momentos, no fundo sabemos (ou precisamos sempre lembrar) que a lua cresce e volta a iluminar. É na Lua crescente que a esperança de novos planos, projetos e brotos se renova e nós estamos mais prontos para o que der e vier.


É quando, então, daqui da nossa casa nessa existência, o planeta Terra, enxergamos a Lua em sua potência maior. Ela encheu e a gente também. Estar plena e preenchida é a maior revolução que existe - completa de si, de sua energia, de sua potência maior. Este plano quer e precisa que nos conectemos com nosso magnânimo esplendor - não que seja fácil, não que seja simples, mas que é real, é. A Lua Cheia nos leva de volta para o real, aquilo que não quebra com nada, que não se despedaça; pelo contrário, aquilo que fica apesar de todo o horror. O real existe e é tudo aquilo que não pode ser ameaçado. Você consegue reconhecê-lo?