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  • Laira Ramos

Cada resíduo tem o seu lugar?

Atualizado: 18 de Out de 2019


Tem horas que é difícil de imaginar que chegamos em um ponto de produção de tanto resíduo. Quando me dou conta de todo o lixo que produzimos, a sensação é de sobrecarregamento e exaustão. Me sinto cansada, a energia esgotada, a cabeça sente o peso que é termos nos conectado tão fortemente com nosso intelecto, e termos esquecido do nosso coração. Meu coração pulsa com o ritmo da natureza que ensina tanto, bem em frente aos nossos olhos.


Visitei hoje a Associação de Coletores de Materiais Recicláveis em Florianópolis. E penso dentro de mim o porquê de não termos elaborado antes, dentro de nossas mentes tão inteligentes, o destino dos itens que resolvemos produzir, a cadeia de cada objeto que resolvemos se tornar consumível. Ontem ouvi uma frase da japonesa Marie Kondo que ficou ressoando dentro de mim: ‘cada coisa tem o seu lugar’.


Se cada coisa tem o seu lugar, qual o lugar do resíduo? Da embalagem daquele bolo que devoramos em segundos, do shampoo que usamos em um mês, do iogurte que termina em uma semana? Tudo aquilo que não é reciclado, porque a indústria não compra. Qual o lugar do grupo, aquele, que dedica seu tempo, energia e saúde, a selecionar todo o lixo que nós produzimos?



Os resíduos já compactados na Associação de Coletores de Material Reciclável - Florianópolis/SC


A alarmante quantidade daquilo que se transforma em rejeito e vai direto para o aterro sanitário


Mesmo desde cedo alimentando uma relação tão próxima e íntima com a natureza, faz pouco que me conectei tão fortemente com a questão do lixo. Acredito que porque durante muito tempo mantive meus olhos fechados para aquele que eu sabia ser um conhecimento dolorido demais.


Faz agora um tempo que tenho tentado ao máximo mudar meu hábitos em relação ao lixo. Comprando o mínimo de coisas embaladas possíveis, reduzindo o plástico ao máximo, levando meu copinho e minha garrafa de água, compostando meu lixo orgânico. Mas a sensação de mudar algumas coisas às vezes não é suficiente. Quando paramos para ver, a situação é alarmante e nos massacra, se deixarmos.


Por isso, resolvi começar 2019 com mais leveza em relação a esse assunto. Continuo me esforçando, em tudo que posso, para gerar menos impacto no planeta que amo.

Mas não quero me sentir sobrecarregada. O peso do mundo às vezes pode ser muito doído. Sentir a tempestade destruidora que se aproxima, depois de um dia de calor extenuante na ilha que amo e, ao mesmo tempo, ver políticos destruindo órgãos de mudanças climáticas me inundam de tristeza. Tristeza por esse amadurecimento que só virá forçadamente a largos e penosos custos.


Se cada coisa tem seu lugar, cada um de nós também tem o seu, e poder fazer a nossa parte, mesmo que pequena, já é muita coisa. Aprender a compartilhar aquilo que aprendemos, de maneira gentil e suave, também. Muitos de nós já carregamos fardos pesados demais, mas podemos ir nos desfazendo deles com amor e com comprometimento, conseguindo também nos corresponsabilizarmos pelos efeitos positivos e nocivos que causamos nesse mundo em que vivemos.

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